Raga Rock
6 discos de vinil encontrados
Raga rock é o ponto onde a psicodelia anglo-americana dos anos 60 bateu de frente com a música clássica do subcontinente indiano, gerando um som de drone hipnótico construído sobre ragas, sitares e tablas. Para o colecionador, é um gênero que concentra algumas das gravações mais experimentais de bandas como Beatles, Rolling Stones e The Byrds, além de uma cena paralela de relançamentos e raridades que vale muito a pena garimpar.
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Sobre o estilo Raga Rock
O som surgiu em 1965 na fronteira entre o folk rock e o pop psicodélico, com faixas que logo viraram referência obrigatória: "Heart Full of Soul" dos Yardbirds, "See My Friends" dos Kinks e "Norwegian Wood" dos Beatles já traziam aquela textura de drone e a escala modal característica das ragas do Hindustani clássico. A estrutura é bastante específica: poucos acordes, ritmos aditivos, sitar ou guitarra elétrica tentando imitar seu fraseado, e uma tambura ou harmônio sustentando o bordão embaixo de tudo. O instrumento mais associado ao gênero, o sitar, ganhou seu lugar no rock em grande parte pelo interesse de George Harrison, cuja influência moldou faixas centrais do Revolver como "Love You To" e "Tomorrow Never Knows".
O pico veio em 1966, durante o que ficou conhecido como a febre da "Indomania". Foi exatamente nesse momento que o publicitário do The Byrds cunhou o termo "raga rock" para promover "Eight Miles High". Os Rolling Stones logo emendaram com "Paint It, Black", e muitas bandas da cena psicodélica passaram a incluir ao menos uma faixa com sabor indiano nos seus álbuns. Surgiu até um fenômeno passageiro chamado de "sitarploitation": coletâneas e LPs de covers produzidos às pressas para surfar na moda. O declínio veio rápido, por volta de 1968, quando o gênero começou a soar repetitivo. O sitarista bengalês Ravi Shankar foi a influência mais citada por músicos ocidentais do período, e ganhou reconhecimento internacional justamente por causa dessa onda.
Nos anos 70, traços do raga rock sobreviveram em certas vertentes do rock progressivo e do folk progressivo, num cruzamento que ficou conhecido como "Indo-prog". Ananda Shankar, sobrinho de Ravi, desenvolveu uma versão do gênero mais próxima das raízes tradicionais indianas. O estilo nunca deixou de influenciar a neo-psicodelia e hoje aparece também em grupos indianos contemporâneos como o Agam, que trabalha com música clássica carnática numa chave progressiva. No Garimpa Vinil, o estilo está presente no catálogo com edições que cobrem desde os clássicos da era de ouro até relançamentos mais recentes das gravações mais experimentais desse período.





