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Pré-Amplificador Phono: Você Precisa de Um?

Ligou o toca-discos e o som saiu fino, baixo, sem grave? Não é defeito do aparelho nem do disco. Falta um pré-phono no caminho — e talvez o seu já tenha um escondido.

Publicado em Atualizado em Leitura: ~8 min
Pré-amplificador estéreo vintage com fileiras de knobs de graves, agudos e volume, sobre estante de madeira

Você ligou o toca-discos na entrada auxiliar do receiver, na soundbar ou na caixa Bluetooth, subiu o volume até o fim e o som saiu fino, baixo, sem grave nenhum. Parece defeito do aparelho, do cabo ou do disco. Não é nenhum dos três.

O sinal que sai de uma cápsula magnética é fraco e está deliberadamente distorcido. Falta um aparelho no meio do caminho para consertar as duas coisas, e o nome dele é pré-amplificador phono.

O que o Pré-Phono Faz

Quando uma matriz de vinil é cortada, o engenheiro não grava o som como ele é. Ele reduz o grave e levanta o agudo, seguindo uma curva padronizada desde 1954 pela Recording Industry Association of America, a curva RIAA.

Há um motivo físico para isso. Grave tem excursão grande: gravado no nível real, o sulco ficaria tão largo que caberiam poucos minutos por lado, e a agulha saltaria para a faixa vizinha. Agudo tem amplitude pequena e some no ruído de superfície do PVC. Cortar o grave e levantar o agudo resolve os dois problemas de uma vez.

O disco que está na sua mão, portanto, guarda uma versão torta da música. O pré-phono faz duas coisas ao mesmo tempo: aplica a curva inversa, devolvendo o grave e baixando o agudo ao lugar, e amplifica o sinal da cápsula até o nível de linha, que é o que qualquer entrada auxiliar espera receber.

Sem ele, você ouve exatamente o que o disco guarda: pouco volume, agudo estridente e grave que sumiu.

Como Saber se Você Já Tem Um

Ele pode estar em três lugares, e vale conferir na ordem.

No próprio toca-discos. Modelos como o AT-LP60X e o AT-LP120XUSB trazem um pré embutido com chave selecionável, geralmente marcada LINE e PHONO. Em LINE, o pré interno está ligado e você pode plugar em qualquer entrada auxiliar. Em PHONO, ele está desligado e o sinal sai cru.

No amplificador ou receiver. Procure uma entrada RCA rotulada PHONO, quase sempre acompanhada de um parafuso de aterramento (GND). Equipamento antigo costuma ter; soundbar e caixa Bluetooth, nunca.

Em nenhum dos dois. Aí você precisa de um pré externo, e é para isso que existe a lista mais abaixo.

Vitrolas com cápsula cerâmica não entram nessa conta. O cristal piezoelétrico entrega um sinal na casa das centenas de milivolts, dezenas de vezes mais forte que o de uma magnética, e a resposta dele já sai perto do que a curva RIAA pediria, de um jeito tosco. É o motivo de a vitrola tocar direto na caixinha, e é o mesmo motivo de ela pesar a mão no sulco.

O Erro dos Dois Prés

Dois prés em série é o engano mais comum de quem acabou de montar o sistema, e ele tem sintoma próprio.

Se o toca-discos está em LINE e você plugou na entrada PHONO do amplificador, o sinal passa por duas equalizações e dois ganhos. O som sai alto demais, comprimido, com grave inchado e agudo áspero. Você vai achar que o disco está estourado.

Se o toca-discos está em PHONO e você plugou na entrada auxiliar, acontece o oposto: volume baixo, som fino, grave ausente.

O diagnóstico é direto. Baixo e sem grave: falta pré. Alto e distorcido: sobra pré. Um pré, e só um, entre a cápsula e o amplificador.

MM, MC e o Número que Importa

Cápsula magnética vem em dois tipos. A de ímã móvel, MM, entrega algo em torno de cinco milivolts e é o que praticamente todo toca-discos de entrada usa. A AT3600L do AT-LP60X e a AT-VM95E do AT-LP120XUSB são MM.

A de bobina móvel, MC, entrega perto de meio milivolt. Dez vezes menos sinal exige bem mais ganho, e um pré de MM não dá conta de uma MC.

Por isso a ficha de um pré informa o ganho em decibéis. O S.M.S.L PH-1, por exemplo, declara 46 dB, o que é folgado para qualquer MM. Se você tem um toca-discos de entrada, é MM, e qualquer pré de MM resolve. A conversa sobre MC começa depois, com cápsulas que custam mais que o toca-discos inteiro.

Trocar o Pré Embutido por um Externo Compensa?

Na maioria dos casos, não. O pré embutido de um AT-LP60X é o elo mais barato da corrente, e é tentador atacá-lo primeiro. Ele não costuma ser o gargalo.

Antes dele estão a agulha, que se desgasta e machuca o sulco quando passa da hora, e o alinhamento da cápsula. Depois dele estão as caixas e a sala, que fazem mais diferença audível que qualquer estágio de ganho decente. Um pré externo de duzentos e cinquenta reais no lugar de um embutido razoável muda pouco.

O pré externo faz sentido em duas situações concretas. Quando não existe pré nenhum no caminho, que é a maioria dos casos de quem liga em soundbar. E quando você troca a cápsula por uma melhor e o pré embutido não tem como acompanhar, o que só acontece depois que o resto já está resolvido.

Os Aparelhos

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Pré-phono MM, converte o sinal phono em nível de linha, entrada de toca-discos MM e saída RCA, fonte externa de 12V. É o caminho mais curto entre um toca-discos sem pré e uma entrada auxiliar.

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Entradas e saídas RCA estéreo, mais uma saída de 6,3 mm. Compacto e sem firula. Está no mercado há tanto tempo que virou referência de piso.

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S.M.S.L PH-1

MM com ganho declarado de 46 dB, THD+N de −81 dB e separação de canais de −77 dB. Corpo usinado em CNC, do tamanho da palma da mão. É o degrau para quem já trocou a cápsula e quer o número na ficha.

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Pré-phono com interface de áudio USB. Serve para quem quer ouvir e também passar o disco para o computador sem comprar dois aparelhos.

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Perguntas Frequentes Sobre Pré-Phono

Posso ligar o toca-discos direto na caixa Bluetooth?

Se o toca-discos tem pré-phono embutido e a chave está em LINE, sim. Se não tem, o som vai sair baixo e sem grave, e nenhum ajuste de volume conserta, porque o que falta é a curva RIAA, não o volume. Nesse caso você precisa de um pré-phono entre o toca-discos e a caixa.

Pré-phono melhora o som de vitrola de maleta?

Não. A cápsula cerâmica dessas vitrolas já entrega um sinal forte e com a equalização resolvida de fábrica. Ligar um pré-phono na saída dela só piora, porque a curva RIAA acaba aplicada duas vezes, deixando o som abafado e desequilibrado.

Qual ganho eu preciso?

Para cápsula de ímã móvel (MM), que é o caso de praticamente qualquer toca-discos de entrada, algo em torno de 40 dB dá conta. O S.M.S.L PH-1, por exemplo, declara 46 dB, o que é folgado. Cápsula de bobina móvel (MC) exige bem mais ganho, mas isso é conversa de quem já investiu numa cápsula cara, não de quem está começando.

O parafuso de aterramento é obrigatório?

Quando existe, use. Ele elimina o zumbido de 60 Hz que aparece quando o chassi do toca-discos não compartilha referência de terra com o amplificador. Se o seu toca-discos não tem fio terra e o som não zumbe, não há o que resolver.

O pré embutido do AT-LP60X é ruim?

Ele é modesto e resolve. Trocá-lo por um pré externo de faixa de preço parecida muda pouco no som. O dinheiro rende mais numa agulha nova quando a atual se desgasta e em caixas melhores, que fazem diferença bem mais audível que o estágio de ganho.

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