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Garimpa

Sam Cooke

21 discos de vinil encontrados

Sam Cooke é o ponto de virada entre o gospel e o soul moderno, aquele artista que provou ser possível transitar entre gêneros sem perder a credibilidade em nenhum deles. Sua voz morna e flexível, combinada com composições que tocavam tanto a alma quanto os ouvidos, fez dele uma referência obrigatória para qualquer colecionador que quer entender o DNA do soul americano.

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Sobre Sam Cooke

Nascido em Clarksdale, Mississippi em 1931, Samuel Cook cresceu em Chicago dentro de uma família profundamente ligada à música gospel. Seu pai era pastor batista, e desde os seis anos ele já cantava com seus irmãos num grupo chamado Singing Children. Na adolescência, tornou-se vocalista do grupo gospel Highway Q.C., onde desenvolveu a técnica vocal que o caracterizaria pelo resto da carreira. Em 1950, aos 19 anos, substituiu R. H. Harris como cantor principal do The Soul Stirrers, um grupo de gospel respeitado na época. Nesse período gravou sucessos como "Peace in the Valley" e "How Far Am I from Canaan?", ajudando a levar o gospel para plateias mais jovens.

A transição para a música pop começou no meio dos anos 1950, mas Cooke foi estratégico nela. Seu primeiro single pop, "Lovable" em 1956, foi lançado sob o pseudônimo Dale Cook justamente para não alienar seu público gospel. O sucesso real veio em 1957 com "You Send Me" pela Keen Records, uma música que atingiu o número um tanto nas paradas R&B quanto nas pop americanas. A partir daí, até sua morte prematura em 1964, Cooke manteve um fluxo consistente de hits: "Chain Gang", "Cupid", "Bring It On Home to Me" (com Lou Rawls nos vocais de fundo), "Another Saturday Night", "Twistin' the Night Away", "Wonderful World" e o clássico "A Change Is Gonna Come". Sua voz de tenor rico e flexível permitia transitar entre o soul, o R&B e o pop sem parecer forçado em nenhum lugar.

Além de cantor, Cooke foi um dos primeiros artistas negros americanos a ganhar controle significativo sobre os direitos de publicação e produção de seu trabalho. Em 1961 fundou a SAR Records junto com J. W. Alexander, lançando também a gravadora Kags, que funcionava como sua empresa de publicação. O catálogo de discos que deixou registra tanto singles como álbuns marcantes como "Night Beat" (1963) e "Ain't That Good News" (1964), que incluem suas maiores gravações. Sua morte trágica em dezembro de 1964 aos 33 anos cortou uma carreira que apontava para muito mais. No Garimpa Vinil estão rastreadas 18 edições de seus trabalhos, incluindo títulos como Portrait of a Legend 1951-1964, Greatest Hits (Electric Blue Vinyl) e Live at the Harlem Square Club, que cobrem desde suas gravações gospel até seus maiores sucessos pop.