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Garimpa

Modern Creative

1 disco de vinil encontrado

Modern Creative é um dos territórios mais desafiadores e recompensadores para quem coleciona música experimental: um estilo que nasceu da insatisfação com os limites do free jazz e construiu sua própria linguagem a partir de improvisação estruturada, instrumentação híbrida e pensamento coletivo. Para o colecionador curioso, o catálogo físico desse gênero guarda algumas das gravações mais inventivas do século XX.

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Sobre o estilo Modern Creative

A origem do Modern Creative está diretamente ligada à fundação da Association for the Advancement of Creative Musicians, a AACM, em Chicago em 1965. Aquele ambiente reuniu músicos como Art Ensemble of Chicago, Anthony Braxton, Wadada Leo Smith e George Lewis, que desenvolveram juntos uma abordagem que não se encaixava nem no jazz moderno nem na música clássica contemporânea. Braxton foi quem batizou o estilo de "creative music", em parte por resistir à classificação de jazzista, preferindo um termo que refletisse a amplitude do que o grupo estava criando.

O que diferencia o Modern Creative do free jazz e da livre improvisação é justamente a busca por estruturas próprias: técnicas de comunicação inéditas, métodos de notação alternativos e conceitos que organizam a improvisação sem replicar as formas do bebop. Braxton, por exemplo, desenvolveu o que chamava de "language music", um conjunto de conceitos que ancorava a improvisação a um som identificável. Em 1969 ele lançou For Alto, disco de referência obrigatória para qualquer colecionador do gênero: semi-improvisações para saxofone alto que demonstram esse vocabulário em ação, situado entre o jazz e algo completamente fora dele. George Lewis, por sua vez, incorporou eletrônica ao repertório, expandindo ainda mais as possibilidades tímbricas do estilo. A mistura de sopros graves e instrumentos de corda friccionada com a percussão e o piano do jazz, em formações que não pertencem a nenhuma das duas tradições, é uma das marcas sonoras mais consistentes do gênero.

Na década de 1970, o movimento ganhou instituições próprias, como o Creative Music Studio e a AACM School of Music, que passaram a formar novas gerações. Músicos como Matana Roberts aprenderam diretamente com os fundadores, e colaborações com artistas como Tyshawn Sorey e Marilyn Crispell ajudaram a manter o estilo vivo e em diálogo com o presente. Para quem quer montar uma coleção representativa do Modern Creative, o ponto de partida costuma ser o catálogo da AACM e as gravações seminais de Braxton, Lewis e do Art Ensemble of Chicago, muitos deles com reedições em vinil que valem atenção.