Neoperreo
3 discos de vinil encontrados
O neoperreo surgiu na segunda metade dos anos 2010 como uma ramificação do reggaeton que apostou em sonoridades mais sombrias, futuristas e experimentais. Para quem coleciona música eletrônica latina, é um estilo que conecta a batida dembow a influências de grime, UK bass, kuduro e deconstructed club, resultando em um catálogo físico ainda pequeno mas cheio de lançamentos interessantes de selos independentes.
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Sobre o estilo Neoperreo
A palavra neoperreo foi cunhada pela chilena Tomasa del Real, que usou o termo para nomear tanto seu coletivo de reggaeton quanto os eventos que organizava no Chile. Essas festas se espalharam rapidamente pela América do Sul e ajudaram a consolidar a identidade do gênero, centrada em estética, moda, tatuagens e na valorização da feminidade. Desde o início, o movimento se posicionou como apolítico, descentralizado e inclusivo, com foco em tornar a cultura de clube mais segura e menos misógina.
Musicalmente, o neoperreo nasceu como uma reação ao reggaeton dos anos 2010, que tinha amortecido o dembow em favor de uma sonoridade mais suave e difusa. Os primeiros produtores de neoperreo foram na direção oposta, colocando o dembow de volta no centro da composição para resgatar o perreo como elemento principal da pista. Com o tempo, o estilo foi absorvendo influências dos clubes globais, e selos como NAAFI e Extasis Records se tornaram referências na curadoria desse som. Esse movimento deu aos produtores um protagonismo que o reggaeton convencional raramente concedia, abrindo espaço para um volume crescente de lançamentos instrumentais e experimentais.
A cultura de DJ também ocupa um lugar central no neoperreo, diferenciando-o do reggaeton contemporâneo pela abordagem eclética de mixagem, que incorpora gêneros de clube de todo o mundo sem depender de vocais. No final dos anos 2010, o estilo ganhou força fora da América Latina, com a Espanha se firmando como outro polo importante. Artistas como Bad Gyal, La Zowi e Ms Nina construíram públicos internacionais, enquanto o selo La Vendición Records, de Barcelona, passou a assinar artistas sul-americanos como o chileno Paul Marmota.


